
Cerca de 250 milhões de pessoas falam o português no mundo, sendo 80% aqui, no Brasil. É a 5ª língua em número de falantes.
Hoje, 21 de Maio, celebramos em nosso país o Dia da Língua Nacional, ou seja, a Língua Portuguesa. Neste “post” compartilharei algumas curiosidades e reflexões sobre a língua que todos nós falamos.
A Língua Portuguesa é uma das chamadas línguas neolatinas, ou seja, uma das novas (“neo”) línguas derivadas do latim (“latinas”), tal como o espanhol e o francês, por exemplo.
O surgimento de novas línguas a partir de uma original ocorre naturalmente e leva séculos para se consolidar. Com a expansão do Império Romano, o Latim vulgar, ou seja, aquele falado pelos soldados e demais pessoas simples, foi bastante espalhado. O isolamento geográfico e contato com outras línguas locais já existentes resultou em diferentes variedades, sendo o português europeu uma delas.
À época da chegada dos portugueses ao Brasil, diferentes línguas indígenas eram aqui faladas. Quase todas estão, atualmente, extintas. No começo da colonização (século XVI) ocorreu um fenômeno muito interessante: surgiram novas línguas como ferramenta de comunicação, resultantes de misturas entre línguas de colonizadores e colonizados, as chamadas línguas francas. Dessa forma, é curioso notar que àquela época o português não predominava, mas outras línguas, “misturinhas” decorrentes da necessidade de comunicação entre todos.
Já em 1759 o Marquês de Pombal impõe, por força de lei, o uso da língua portuguesa, mas na prática existiam línguas indígenas e, com a escravidão, línguas africanas, que somadas apresentavam mais falantes que o próprio português!
É somente em 1808, com a vinda da família real para o Brasil, que o português começa a se consolidar. A língua passaria ainda, a partir daquele século, pelo contato com idiomas de imigrantes, como italianos e alemães, resultando em novos vocábulos.
Hoje o português dito brasileiro e o português europeu são diferentes em termos de pronúncia, vocabulário e até sintaxe, porém um brasileiro e um português podem se comunicar perfeitamente. Você já se perguntou por que falamos “português” e não “brasileiro”? Na verdade é apenas uma questão de nomenclatura, pois o que faz uma língua ser considerada diferente da outra não são princípios puramente linguísticos, mas motivações políticas.
O que é muito estranho é o fato de pessoas desvalorizarem nosso idioma preferindo usar termos estrangeiros desnecessariamente. Toda língua passa pelo contato de outros idiomas, que a enriquece, porém isso é diferente de encontrarmos, por exemplo, uma placa escrito “SALE” numa loja... que significa “liquidação”, palavra que já temos em nossa língua.
Você já fala muito bem o português. Na escola, você aprende a dominá-lo em suas variações e, ainda, estuda a forma padrão, oficial da língua, que passa por regras, às vezes muito chatas. Esforce-se para usar a sua língua conforme exigir a ocasião. No MSN, informalmente, use a linguagem que lhe é própria. Na escola, formalmente, prefira o padrão oficial, na fala e na escrita, assim você dominará a língua, não se deixando dominar por ela. Somos constantemente julgados por aquilo que falamos e como falamos...
Quanto à tal reforma ortográfica, aos poucos você aprenderá as novas formas de se registrar certas palavras, essa aprendizagem não ocorrerá em uma ou dez aulas, será um aprendizado constante pautado na leitura e reflexão. O mais importante é o conteúdo, sua compreensão e capacidade de produção, e não o fato de agora a palavra “ideia” ser escrita sem o acento. A ortografia é um foco muito necessário, mas, sem o conteúdo, de nada serve. O conhecimento sobre a ortografia, na prática, decorre do exercício da leitura, e não das regras gramaticais. Afinal, eu sei que a palavra “chuchu” é escrita com “ch” e não com “x” pela minha memória de leituras, não por regra ou etimologia alguma...
Fale o português com orgulho, saiba utilizá-lo conforme a ocasião e, assim, sua língua será uma preciosa ferramenta de conquistas, de todos os tipos.
Cordialmente, prof. Chico.