Diferenciar adjunto adnominal de complemento nominal é algo que pode ser feito sem dificuldades caso o aluno siga os passos que eu aqui apresento.
A primeira coisa a se saber é que o adjunto adnominal é acessório, ou seja, ele se liga a um substantivo concordando com ele em gênero (masc. ou fem.) e em número (sing. ou plur.).
Ex.: Os meus dois velhos vizinhos mudaram-se.
As palavras “os”, “meus”, “dois” e “velhos” ligam-se ao substantivo “vizinho”, concordando com ele em gênero e em número. Assim, concluímos que podem apresentar a função sintática de adjunto adnominal:
- os artigos.; - pronomes; - numerais; adjetivos e, ainda, locuções formadas por preposição.
Já o complemento nominal também é um termo acessório como o adjunto adnominal, porém o complemento nominal completa a ideia lançada por um outro termo.
Podem apresentar a função sintática de complemento nominal:
- locuções formadas por preposição. Outros casos existem mas não são vistos no oitavo ano.
Dessa forma, agora é necessário ter em mente que:
1. O adjunto adnominal refere-se apenas aos substantivos.
2. O complemento nominal refere-se a um substantivo, a um advérbio ou a um adjetivo.
CONCLUSÃO: Logo, se a palavra em questão for um adjetivo ou um advérbio, o termo ligado a tal palavra não poderá ser um adjunto adnominal. Será complemento nominal.
Exemplo de CN ligado a advérbio:
A Aninha mora perto [do mercado].
O advérbio “perto” está sendo complementado pelo CN [do mercado], que é, logicamente, uma locução formada por preposição.
Exemplo de CN ligado a adjetivo:
A filha é igual [a ela].
O adjetivo “igual” está sendo complementado pelo CN [a ela], que é, logicamente, uma locução formada por preposição.
Se a palavra em questão for um substantivo, o termo a ela ligado poderá ser adjunto adnominal ou complemento nominal. Siga os próximos passos para saber diferenciar:
Passo 1: Se o termo estiver indicando posse, será adjunto adnominal, e nunca complemento nominal.
Ex.: Os cadernos [do Panda] apresentam letra bonita.
A palavra em questão é o substantivo “cadernos”. O termo [do Panda], que é uma locução formada por preposição, só pode ser adjunto adnominal justamente porque indica posse.
Passo 2: Se o termo for agente (mais ativo) será adjunto adnominal. Se o termo for paciente (mais passivo) será complemento nominal.
Ex.: A crítica [do manifestante] foi dura.
No caso acima, o manifestante é o agente da ação de criticar. Logo, o termo [do manifestante] é adjunto adnominal.
Ex.: A crítica [ao manifestante] foi dura.
No caso acima, o manifestante é o paciente da ação de criticar, ele foi criticado. Logo, o termo [ao manifestante] é complemento nominal.
Resumo dos passos:
I. Se o termo estiver ligado a um adjetivo ou a um advérbio, será CN.
II. Se estiver ligado a um substantivo, pode ser CN ou adjunto adnominal.
III. Se indicar posse, será adjunto adnominal.
IV. Se for o agente, será adjunto adnominal.
V. Se for o paciente, será CN.
Exemplos comentados:
a) O Chico tem paixão [por Fusca].
O termo [por Fusca] relaciona-se ao substantivo “paixão”, complementando ao explicar pelo quê é a paixão. Logo, é complemento nominal.
b) O cemitério fica longe [do CAP].
O termo [do CAP] relaciona-se ao advérbio “longe”. Se está ligado a um advérbio só pode ser complemento nominal.
c) O Aderbaudílio é diferente [do Luizinho].
O termo [do Luizinho] relaciona-se ao adjetivo “diferente”. Se está ligado a um adjetivo só pode ser complemento nominal.
d) A bicicleta [da Julinha] quebrou.
O termo [da Julinha] relaciona-se ao substantivo “bicicleta” indicando posse. Logo, será adjunto adnominal.
e) Está difícil o pagamento [da dívida].
O termo [da dívida] relaciona-se ao substantivo “pagamento”. A dívida paga alguém ou é paga por alguém? É claro que é paga por alguém, portanto, é mais passiva, paciente, ou seja, [da dívida] é complemento nominal.