terça-feira, 31 de agosto de 2010

Oitavo ano A – Adjunto adnominal e complemento nominal

Diferenciar adjunto adnominal de complemento nominal é algo que pode ser feito sem dificuldades caso o aluno siga os passos que eu aqui apresento.

A primeira coisa a se saber é que o adjunto adnominal é acessório, ou seja, ele se liga a um substantivo concordando com ele em gênero (masc. ou fem.) e em número (sing. ou plur.).

Ex.: Os meus dois velhos vizinhos mudaram-se.

As palavras “os”, “meus”, “dois” e “velhos” ligam-se ao substantivo “vizinho”, concordando com ele em gênero e em número. Assim, concluímos que podem apresentar a função sintática de adjunto adnominal:

- os artigos.; - pronomes; - numerais; adjetivos e, ainda, locuções formadas por preposição.

Já o complemento nominal também é um termo acessório como o adjunto adnominal, porém o complemento nominal completa a ideia lançada por um outro termo.

Podem apresentar a função sintática de complemento nominal:

- locuções formadas por preposição. Outros casos existem mas não são vistos no oitavo ano.

Dessa forma, agora é necessário ter em mente que:

1. O adjunto adnominal refere-se apenas aos substantivos.
2. O complemento nominal refere-se a um substantivo, a um advérbio ou a um adjetivo.


CONCLUSÃO: Logo, se a palavra em questão for um adjetivo ou um advérbio, o termo ligado a tal palavra não poderá ser um adjunto adnominal. Será complemento nominal.

Exemplo de CN ligado a advérbio:

A Laura mora perto [do Angeloni].

O advérbio “perto” está sendo complementado pelo CN [do Angeloni], que é, logicamente, uma locução formada por preposição.

Exemplo de CN ligado a adjetivo:

A Amanda é igual [a ela].

O adjetivo “igual” está sendo complementado pelo CN [a ela], que é, logicamente, uma locução formada por preposição.

Se a palavra em questão for um substantivo, o termo a ela ligado poderá ser adjunto adnominal ou complemento nominal. Siga os próximos passos para saber diferenciar:

Passo 1: Se o termo estiver indicando posse, será adjunto adnominal, e nunca complemento nominal.

Ex.: Os cadernos [do Biel] apresentam letra bonita.

A palavra em questão é o substantivo “cadernos”. O termo [do Biel], que é uma locução formada por preposição, só pode ser adjunto adnominal justamente porque indica posse.

Passo 2: Se o termo for agente (mais ativo) será adjunto adnominal. Se o termo for paciente (mais passivo) será complemento nominal.

Ex.: A crítica [do diretor] foi dura.

No caso acima, o diretor é o agente da ação de criticar. Logo, o termo [do diretor] é adjunto adnominal.

Ex.: A crítica [ao diretor] foi dura.

No caso acima, o diretor é o paciente da ação de criticar, ele foi criticado. Logo, o termo [do diretor] é complemento nominal.

Resumo dos passos:
I. Se o termo estiver ligado a um adjetivo ou a um advérbio, será CN.
II. Se estiver ligado a um substantivo, pode ser CN ou adjunto adnominal.
III. Se indicar posse, será adjunto adnominal.
IV. Se for o agente, será adjunto adnominal.
V. Se for o paciente, será CN.


Exemplos comentados:

a) O Chico tem paixão [por Fusca].

O termo [por Fusca] relaciona-se ao substantivo “paixão”, complementando ao explicar pelo quê é a paixão. Logo, é complemento nominal.

b) O cemitério fica longe [do CAP].

O termo [do CAP] relaciona-se ao advérbio “longe”. Se está ligado a um advérbio só pode ser complemento nominal.

c) O Daniel é diferente [do João].

O termo [do João] relaciona-se ao adjetivo “diferente”. Se está ligado a um adjetivo só pode ser complemento nominal.

d) A bicicleta [da Luizinha] quebrou.

O termo [da Luizinha] relaciona-se ao substantivo “bicicleta” indicando posse. Logo, será adjunto adnominal.

e) Está difícil o pagamento [da dívida].

O termo [da dívida] relaciona-se ao substantivo “pagamento”. A dívida paga alguém ou é paga por alguém? É claro que é paga por alguém, portanto, é mais passiva, paciente, ou seja, [da dívida] é complemento nominal.